São Paulo - Um novo estudo, o Global Drug Survey 2015, detectou pela primeira vez que a versão sintética da maconha vem sendo usada no Brasil. No País, o levantamento é coordenado pela Unifesp. Os efeitos provocados pela droga são semelhantes aos da maconha convencional - como alteração de percepção-, porém mais intensos. A versão sintética causa ainda reações como convulsões e 30 vezes mais internações.
A nova droga é basicamente uma planta qualquer borrifada com versões sintéticas da molécula THC, princípio ativo da maconha. Com isso, a proibição à maconha pôde ser burlada em países como Hungria, Polônia e Nova Zelândia. Nesses locais, a maconha sintética era vendida legalmente até junho de 2014.
Como há muitos fornecedores no mercado, não é possível saber quais moléculas exatamente estão presentes nem em qual quantidade. Isso, na opinião de Adam Winstock, pesquisador do King’s College London, no Reino Unido e diretor do Global Drug Survey, impediria qualquer uso seguro da droga.
Segundo Ivan Braun, médico assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, a maconha sintética pode ainda ter concentrações muito maiores de canabinol, a principal substância ativa e causadora de dependência da maconha, além de outras drogas.
A pesquisa não pode ser encarada como um retrato da população do Brasil ou do mundo, visto que os participantes são em média mais jovens e escolarizados e têm acesso à internet. Por outro lado, ela é capaz de revelar tendências no uso de drogas.
No caso da maconha sintética, 1,8% dos brasileiros que responderam à pesquisa afirmaram ter usado a droga no último ano. Já 3,3% afirmaram ter usado a droga ao menos uma vez na vida.

0 Comentários