Um motorista do aplicativo Uber foi cercado por um carro e um táxi, agredido pelo taxista e teve o veículo destruído por volta das 6h deste sábado (28), em Guarulhos, na região Metropolitana de São Paulo.
Renato da Silva Nascimento, 29 anos, trabalha como motorista do aplicativo há dois meses e afirmou ao G1 nunca ter passado por situação semelhante. "Só tinha ouvido relato de amigos. Estava vindo para casa, mas estava em serviço ainda sem ter desligado o aplicativo. Foi quando um carro bateu na traseira, depois fui entender que já queria chamar minha atenção. Ele tentou me jogar contra outros carros que vinham no sentido contrário."
Segundo Nascimento, um táxi passou por eles e fechou a passagem pela frente de seu carro na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no Bairro Cocaia, em Guarulhos. "No mesmo momento, um táxi me bloqueou a passagem na frente. Dois homens saíram do carro de trás e dois saíram do táxi. Eles já começaram a atacar o carro com uma barra de ferro e um pedaço de madeira."
Ele disse que os quatro agressores gritavam ofensas enquanto quebravam os vidros e amassavam a lataria do carro. "Eu saí do carro com medo de ficar preso dentro dele e ser pior para mim. Foi tudo muito rápido. O táxi que parou na minha frente, estava coberto com algum adesivo ou ímã sobre a numeração que identifica o carro, mas tinha uma faixa azul típica dos táxis de Guarulhos. Identifiquei os dois modelos dos carros e informei à polícia."
Nascimento não sabe informar se foi vítima de uma ação premeditada. "Não tem como saber se alguém me seguiu. Nunca tive problema com ninguém. Eles gritavam: você é Uber, Uber tem que se f...", disse o motorista do aplicativo.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo foi procurada pela reportagem do G1 e espera posicionamento sobre a investigação do caso. O Uber também foi procurado e ainda não se manifestou.
Taxistas
Antônio Matias, presidente do Sindicato dos Motoristas nas Empresas de Taxis no Estado de São Paulo (Simtetaxi-SP), afirmou que o órgão desconhecia o caso, mas repudia qualquer tipo de violência contra motoristas do Uber.
“Somos contra atos de violência. Nós estamos lutando para regulamentar e regular o Uber. Há espaço para todos nós, mas às vezes algum motorista acaba tendo atrito com eles. Temos de parar com a briga com eles, nós repudiamos esse tipo de violência”, afirmou Matias.
Natalício Bezerra, presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos São Paulo (Sinditaxisp), também é contra a agressão aos motoristas e responsabiliza o Uber.
“Isso não se faz. O motorista do Uber é um colega nosso, é um companheiro, mas ele está de um lado e nós de outro. No Brasil, hoje, todo mundo tenta sobreviver. Somos contra a violência e não admitimos isso. Quem é o verdadeiro culpado é a empresa, que é contra a lei, não tem motivo para o motorista ser agredido”, afirmou. “Estamos discutindo a questão com as autoridades, e eu aconselho os companheiros a terem paciência, entramos na Justiça e a ideia é resolver sem violência”.



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